Os valores que animam a cultura

Rev. Robert Sirico

Presidente do Acton Institute

Há muito tempo, o critério padrão de Hollywood afirma que os filmes religiosos e familiares não são sucessos de bilheteria. Mas esse critério está começando a desaparecer diante das recentes tendências cinematográficas. Os cinco filmes que ficaram no topo da audiência esse ano são classficados tanto como Livre ou Inadequado para menores de 12 anos, e todos eles superaram a marca de bilheteria de 100 milhões de dólares. Dois desses últimos cinco filmes, Shrek 2 e Os incríveisforam desenhos animados de classfição Livre.

O sucesso desse tipo de filme está fazendo os executivos repensarem o padrão anterior. Filmes para a família, especialmente os desenhos animados, tem levado de novo aos cinemas pessoas que não iam há muitos anos. E essas pessoas ficam propensas a voltar mais vezes – desde que haja algo para ver.

No passado, escritores religiosos diziam que a indústria do cinema relacionava as classificações dos filmes aos ganhos. Um estudo recentemente lançado pela Dove Foundation chegou a algumas conclusões importantes que confirmam esse fato.

Desde 2000, a produção de filmes inadequados para menores de 18 anos tem caído 12% ao ano, ao passo que a produção de filmes de classificação Livre aumentou em 38% no mesmo período. Isso reflete uma reação do mercado ao fato de que, entre 2000 e 2003, o lucro médio de um filme censura 18 anos era de reles 17 milhões de dólares, em comparação com os filmes de censura Livre, cujo lucro médio ficava na casa dos 92 milhões

O que concluímos desse relatório da Dove Foudation é que a indústria cinematográfica está começando a reconhecer uma oportunidade de lucro ao produzir filmes moralmente mais robustos.

Em 1999, seguindo um estudo inicial dessa mesma fundação, Joe Roth da Disney requereu que se mudasse a proporção de produção de filmes, anteriormente de quatro filmes de adulto para cada um filme familiar, para a marca de um filme de adulto por um familiar. E a Disney está perto de alcançar essa proporção, já que 48% dos lançamentos desde 2000 são de classificação Livre ou Inadequado para menores de 10 anos.

Um dos lançamentos mais esperados da Disney para o final de 2005 é a primeira parte das Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis, O leão, a feiticeira e o guarda roupa (The Lion, the Witch and the Wardrobe). Lewis foi um dos maiores teólogos e apologistas cristãos do século XX e seus livros de ficção estão imbuídos de um profundo senso de moralidade cristã.

Esse tipo de estória animada pela religiosidade, juntamente com a trilogia de J. R. R. Tolkien, O senhor do anéis (The Lord of the Rings), tem o potencial de ser não só enormemente lucrativa, mas também moralmente salutar.

Walt Disney está na longa lista de empresários e capitalistas que tiveram um percepção única – adquirida em parte por olhar para o surpreendente sucesso de enredos salutares e uma certa intuição – e lucrou com isso.

Assim como Hollywood foi tradicionalmente relutante em patrocinar filmes que tocassem em interesses religiosos do público pagante, as várias denominações cristãs organizadas levantaram muitas suspeitas sobre a indústria cinematográfica.

A direita religiosa, há muitos anos, censura Hollywood sem entender a principal motivação que se esconde por trás da produção de filmes, que não é corromper, mas fazer filmes que as pessoas queiram assistir. Esse modo de conduzir os negócios não é nem moral, nem imoral: significa somente que o mercado de filmes é uma tábula rasa moral.

Hoje foi dado o recado. Belos lucros levam à campo novos produtores e novos produtos. Esse é o resultado que se espera, não importando que o filme promova Deus ou o diabo. E esse é um triste comentário que muitos homens de negócio utilizam dependendo de onde estejam os lucros.

Por agora parece que o bom investimento está na fé e na família, o que é benéfico a todos. Que todos possamos apreciar esse momento e tudo o que ele irá trazer, com os grandes talentos de Hollywood voltados para um tratamento justo do tema religioso.

O verdadeiro desafio virá quando os lucros caírem e os capitalistas novamente forem tentados a lucrar com o desejo das pessoas de banir o bem. O mercado é uma instituição notável que dá à sociedade exatamente o que ela deseja. Não importa se você ame ou odeie o que Disney e outros vêm fazendo, o sucesso dos filmes voltados para a família reflete os valores que animam nossa cultura.