Francisco Suarez (1548 - 1617)

Durante o século XVI, a mistura do profano com o sagrado ocorreu no cenário político, e uma das características disso é o aparecimento da doutrina do Direito Divino dos Reis. Em todo o norte da Europa, particularmente a França, os monarcas reclamavam para si uma soberania divina, da mesma forma como a Igreja proclamava sua divina autoridade moral. Ocorreu então a divinização do Estado, onde o monarca reivindicava responder tão somente à Deus e não à Igreja ou aos seus súditos.

Contra os defensores do Direito Divino, como foi o caso do rei James I da Inglaterra, Francisco Suarez buscou defender as instituições sacras das perversões seculares que ameaçavam a integridade tanto da Igreja quanto do Estado. Suarez era um padre jesuíta e professor de teologia na Universidade de Salamanca, na Espanha, e acreditava que nenhum monarca poderia possuir atributos sagrados.

Suarez argumentava que a Igreja era a única instituição criada pela intervenção da autoridade divina por um ato imediato de Cristo, e portanto, verdadeiramente instituída por direito divino. A autoridade do Estado não é de origem divina, mas humana. É o povo quem consente ser governado por uma autoridade política, não diretamente por Deus. Assim, o povo, em casos extremos, pode depôr o rei.

O objeto da Igreja é a saúde da alma de cada indivíduo e sua salvação espiritual, em oposição ao Estado, cuja jurisdição é somente temporal, e diz respeito ao bem comum da vida secular. Dado o primado do espiritual sobre o temporal, a Igreja é, portanto, superior ao Estado. Isso não significa, no entanto, que a Igreja tem um poder temporal irrestrito. A legitimidade da autoridade do papa repousa nos assuntos espirituais e teológicos, em vez dos assuntos seculares e políticos. As principais obra de Francisco Suarez são o De Legibus, sobre o Direito e Defensor Fidei, uma defesa da Igreja contra o rei James I.